8 de abril de 2014

Eu matei você dentro de mim

Eu matei você dentro de mim
Matei, confesso, enterrei e não senti remorso!

Matar gente não quer dizer empunhar uma faca ou atirar uma bala, a gente mata de outras formas, vai tirando aos poucos a pessoa de dentro de você, parando de pensar, de sentir, (será que dá pra deixar de sentir?) não querendo mais saber, começa a tomar distância, vai se afastando até não restar mais nada, só sombras, poeiras, que você vai dissipando ao tomar luz e limpando o que restou por dentro.
É por aí, estamos na fase do enterro, jogando a última pá de terra, salpicando flores, enxugando as lágrimas e se conformando, recebendo carinho alheio, abraços fraternos, mãos amigas, beijos outros, mas com a certeza de que alguma coisa continua, a vida, você, mas não mais aquela pessoa, aquele amor, o sentimento que havia antes,  que antes estava com você, agora está em suas lembranças, recordações, até também estas irem embora ou não preencherem tanto assim a sua existência.
O tempo passa, vem a missa de sétimo dia, depois aniversário de um ano, de morte, aí a gente já nem lembra mais, sente um pouco de saudade, visita as lembranças, recorda o que foi bom, suspira numa noite escura e fria, mas vira de lado e vai dormir. Não há muito o que fazer, não há nada pra acontecer, existir, é preciso seguir.
É quando a gente decide viver, ir em frente, não interessa mais conversar, olhar, ver, cansa o contato, é tedioso querer, mesmo que ainda se sinta alguma coisa, mas você precisa sentir por você amor próprio, assim acha por bem deixar pra lá, ter esperanças de que algo melhor vai acontecer, em qualquer lugar, a qualquer momento, por isso que é bom viver, pelo inusitado.
Matei, sim, confesso, joguei flores, rezei e enterrei, chorei, enxuguei as lágrimas, rezei na missa de sétimo, senti saudades quando completou um ano, mas não morri, estou vivo, ela (e) quem morreu, espero que vá pra o céu, enquanto que eu, não.




Ronaldo Magella – Professor, Poeta, Escritor, Blogueiro, Radialista  e Jornalista  .
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Encontrei em palavra o crime de hoje.

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